Stressfull night;

                            Bi 3-72

Essa noite foi péssima. Horrível. Uma das piores e mais estressantes do ano. Pra não dar em nada no final. -.-’
Foi assim, estava eu na sala, organizando meus arquivos “18+”, não fazendo nada de mais, se é que me entendem, quando derrepente meu pai surge na porta. Péssimo. Gelei na hora.

- Não tá na hora de desligar isso aí não?
- Já tô desligando. Calma aí.

Pensamento depois do ocorrido: “Ele viu alguma coisa. Com certeza viu. Absoluta. Merda! Merda! Merda!
Geralmente, quando ele vem aqui na sala avisar pra desligar, depois de cinco minutos ele volta e fica assistindo TV. Passa a noite assistindo filme. Jura que assiste, mas dorme no sofá mesmo.
Ontem ele não veio assistir.
Pronto. Isso bastou pra terminar minha noite num inferno.
Eu fui pro meu quarto dormir. Fiquei hoooras e horas pensando no que poderia acontecer, afinal, eu sou bissexual (liguem isso aos arquivos “18+”).
2:30h. 3:00h. 3:30h. 4:30h. Fui deitar umas 5:00h,e só consegui dormir umas 7:00h. Ouvi minha irmã saindo pra ir pra escola. Nunca vi ninguém fazer tanta barulheira assim.
Horrível. Pensei em tudo.
Mãe, sou bissexual.
Mãe, tenta não me expulsar de casa por isso: sou bissexual.
Mãe, uma coisa que você tem que aceitar: sou bissexual.
E mais umas 400 frases pra contar pra ela.
Hoje na hora do almoço, eles vieram almoçar, como o usual. Minha mãe chegou, olhou pra mim com uma cara estranha, nem brava nem triste, nem nada. Cara de nada. Meu pai chegou, achei estranho, já que ele falou “oi” pra mim, geralmente ele não fala nada quando chega.
Fiquei em desespero aqui. Foi horrível. Pra nada.
Ninguém comentou nada. Sem olhares estranhos de “seu viado da porra!”. Nada mesmo. Sinceramente não sei o que aconteceu. Eu reparei também que ele não dormiu à noite, porque os roncos do meu cachorro estavam reinando soberanos de madrugada. Só os do cachorro. Geralmente rola uma competição entre eles: cachorro versus pai.
Anyway, não sei se eu tô feliz ou péssimo com isso. Feliz porque, afinal, vai continuar tudo como sempre foi, a hipocrisia de sempre. Mas péssimo porque esse peso ainda continua nas minhas costas. Ontem eu pensei, seria tudo tão mais fácil se a família soubesse. Só que o preconceito da minha mãe impede que saibam. E enquanto não surgir oportunidade, vai continuar a mesma coisa de sempre. Que no final é bom. Ou não…

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